junho 7, 2017

Habid

Sou paquistanês, mas me mudei para a região da Caxemira, da Índia – fica muito perto da fronteira do Paquistão. Há muita violência entre a Índia e o Paquistão, que já dura anos. Caxemira pediu para que eu saísse de lá e eu queria procurar a liberdade. O tiroteio de muçulmanos não é incomum na Caxemira. Eu era de um partido enquanto meus irmãos eram de outros. Por volta das 21h, ouvimos tiros na região da minha casa. Não sei onde estava meu irmão mais velho quando ele foi morto. Após um ano, eu tive que sair de lá. O Paquistão não cuidava de mim e eu tive muitos problemas lá também. Não teria sido melhor se eu me mudasse ao interior do país. Eu só quero a liberdade; não queria nem o Paquistão nem a Índia porque eu sabia que a liberdade que eu queria não estava lá.

Acredito que ficar no Brasil é uma opção muito melhor do que na Caxemira. Na verdade, há muita liberdade aqui. Há dificuldades, também… Não posso falar a língua, e ser vendedor nas ruas do Brás foi o único trabalho que encontrei. Estou estudando português nas aulas de uma organização que trabalha com imigrantes, chamado CAMI, e lá eu encontrei pessoas de Bangladesh. Estudamos juntos na mesma sala e chegamos ao Brasil em situações semelhantes. O meu português está melhorando. Inicialmente, nenhum de nós conseguia entender uma palavra, mas agora podemos conversar com os outros. Uma segunda língua é sempre difícil de aprender.

 

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