março 20, 2017

Jean

Eu fugi sozinho em 2013 de Kinshasa antes das manifestações começarem. A polícia me ameaçou, e eu fui preso duas semanas por minhas opiniões políticas em favor da oposição do atual governo. Muitos foram perseguidos e torturados pelo governo e pela polícia devido de suas opiniões políticas nesta época. Eu fugi e me escondi com um padre depois de duas semanas preso. Ele conseguiu arranjar visto eclesiástico para mim, e eu consegui vir ao Brasil em junho desse ano. Não escolhi o país, mas era a único jeito que eu poderia escapar. Inicialmente eu tive que deixar minha mulher e crianças, e enquanto meu pai morreu em 2002, minha mãe ainda mora na República Democrática do Congo. Visitei a Caritas quando cheguei ao Brasil, e eles me agendaram com a Polícia Federal. A Caritas me ajudou com o procedimento do refugiado. Foi difícil depois de cheguei, pois não tinha como procurar trabalho sem documentação. Abri um LAN House em Glicério como empreendedor com ajuda de alguns amigos brasileiros, mas não cadastrei a empresa. Recebi meu CPF e minha CTPS; entretanto, não recebi o julgamento do meu caso para que possa receber meu RNE. É necessário para cadastrar uma empresa. Eu só consegui obtê-lo através de um dos meus filhos, porque ele nasceu no Brasil em 2015.

Eu consegui trazer minha mulher e meus dois filhos do Congo. A Caritas nos ajudou muito, pois eu conhecia um pouco nesta época sobre como viver, como tirar os documentos e me sensibiliza dos meus irmãos refugiados e dos outros países, também. Nossa ONG, África do Coração, existe já 3 anos, mas incialmente foi informalmente porque a ONG concebeu na Casa de Migrante da Missão Paz. A gente teve essa ideia para juntar as comunidades africanas. Tem plataforma onde todos podem pensar para crescer a integração deles no Brasil e cria uma consciência melhor do todo o continente. Educamos e fornecemos imagens para aumentar a visibilidade da vida na África, pois não são todos de um só país, mas de diferentes nações e de diferentes culturas. Ajudamos a educar os brasileiros sobre a vida e a situação dos refugiados africanos com o fim de diminuir preconceitos e discriminação. Algo que não é elaborado é que os imigrantes aqui contribuem para o crescimento do país. O Brasil é o beneficiário do meu salário. Eu trabalho aqui e eu como aqui; o Congo não recebe nada do minha vida no Brasil. Entramos nos espaços que estão vagos.

O Brasil tem racismo e xenofobia. Eu vi o que acontece com aqueles que são negros. A xenofobia esta visível entre os negros brasileiros e os negros de outros países, e o racismo de brasileiros brancos contra os africanos. Percebo que os refugiados da África têm problemas dos dois lados. As pessoas racistas não conhecem nossa realidade. Sentimos o choque quando alguém nos diz: “Você é um macaco”. A gente tem que orientar o povo para conhecer e saber a realidade dos refugiados africanos. Ninguém escolhe sua situação, corpo ou cor. Porque que pensar que você é mais bonito que uma pessoa diferente? Não é certo. Sofremos com essa mentalidade. Não estamos aqui para tirar as mulheres de ninguém, o espaço de ninguém ou o trabalho de ninguém. Não vamos eliminar a xenofobia da sociedade por causa da cultura, mas somente informar os outros para entender as causas e os casos dos imigrantes. Quando estamos informados, criamos consciência contra os preconceitos. Temos que divulgar e falar para que entendam as causas da imigração. Precisamos principalmente elevar nossos vozes para os educar, para que as pessoas possam entender. Nós não queremos brigar com ninguém. Só queremos ser compreendidos.

Em nossa missão, África do Coração administra a Copa dos Refugiados que foi fundada em colaboração com o ACNUR e a Caritas. A idéia de fazer uma fraternização de refugiados foi inspirada pela Copa das Confederações que realizou no Brasil em 2013. A primeira Copa dos Refugiados foi em 2014, e realizada anualmente depois. Sou o coordenador atual da Copa dos Refugiados. A Copa não é apenas para jogar futebol; é uma oportunidade para conversar, aprender outras culturas e trabalhar em conjunto. É um dia para todos os refugiados. Mostra que os refugiados trouxeram algo ao Brasil através de nossas culturas e colaboração. Temos atividades e jogos para as mulheres e as crianças, para que todos participem neste dia. O futebol traz amor; não desempenha um papel político nem cria divisão. A Copa dos Refugiados promove a luta contra a discriminação e o racismo que nós enfrentamos como refugiados no Brasil. Eu vi os resultados da Copa, ajuda aumentar a visibilidade e crescer a fraternização entre refugiados. Agora eu conheço refugiados dos Bangladesh, Iraque, Líbano e Senegal através da Copa. No futuro eu quero que seja um evento identificado com os refugiados no Brasil. Quero o crescimento e a união entre refugiados, sustentando todos na luta contra preconceitos e luta contra a discriminação num espaço de oportunidades.

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