fevereiro 13, 2017

Jheannette

Eu morava em La Paz; sou paceña – é como chamamos uma pessoa de La Paz. Estou em São Paulo há dois anos. É incrível como passa rápido. Eu vim com a família; minha mãe veio primeira e depois eu vim para conhecer, mas para uma chance de trabalhar também. Quando eu cheguei aqui, eu tinha 19 anos. Então como qualquer uma jovem, sempre queria conhecer outro lugar. Minha mãe me falou: “vamos para o Brasil!”, e eu falei: “ah, eu quero conhecer”. Então eu vim para conhecer, mas não só conhecer porque eu também precisava trabalhar. Porque se você não é profissional, não tem algo seguro, tem que trabalhar depois.


Então estou me dando bem aqui, conhecendo mais o Brasil. Gosto de muitas coisas daqui, mas ainda tenho saudade de muitas coisas lá na Bolívia, A identidade cultural de um indivíduo de suas terras nativas é sempre levada internamente, ainda mais quando em outro país, porque quando uma pessoa sai do seu país sente saudade de algumas coisas, de alguns costumes, de coisas que fazia. Sempre a cultura que a pessoa tem de cada país, sempre está dentro. Eu sinto falta dos locais que visitava, conhecia tantos! E também sinto falta da linguagem, de falar espanhol. Foi difícil mudar para o Brasil no começo sem falar português. Se a linguagem fosse o espanhol, teria sido muito diferente. Eu teria me sentido mais confiante, pois eu entenderia tudo sem problemas. Sem dúvidas, a “barreira da linguagem” foi o maior problema. O Brasil é único nisso, é o único país na América Latina que fala português, é mais difícil. Também tem os amigos, os lugares, as coisas que fiz, os colegas de escola – e familiares que ficaram para trás – que sinto saudades.

Me matriculei em alguns cursos bem recente e estou passando, mas também eu tenho que trabalhar para pagar esses cursos. Estou fazendo faculdade de administração. Na faculdade, às vezes eu misturo meu português e meu espanhol, mas meus colegas entendem de qualquer jeito. A reação deles me tranquiliza. Eu vou terminar meus cursos primeiro e receber meu diploma e depois vou pensar bem direitinho sobre as minhas opções. Estou pensando em voltar à Bolívia, depois da faculdade. Talvez… Independente, eu vou para Bolívia para visitar ao terminar o meu curso.

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