janeiro 6, 2017

Marcela

Eu conheço alguns imigrantes no Canadá que acham que o país quer receber os imigrantes por razões econômicas, mas não existe um programa que os ajude a se integrar. A integração não acontece somente em uma direção; é uma via de mão dupla. Não é somente que os canadenses não sejam muito receptivos, é também como você se vê no país. Como você tenta se integrar e aprender a cultura. Você não pode ficar apenas na sua própria comunidade. Eu encontrei muitos canadenses que se interessam em aprender minha cultura, e encontrei alguns que abrem sua cultura para mim e me convidam para participar de vários eventos e para ir a suas casas. Em geral, acho que os canadenses das outras províncias que falam inglês são mais acolhedores que os francófonos. Mas pode ser porque me sinto mais confortável em me expressar em inglês do que em francês.

Eu cheguei ao Canadá como aluna de intercâmbio para fazer um duplo bacharelado em Ciências Políticas e Relações Internacionais na McGill em 2005. Após um período letivo eu voltei para a Colômbia. Em 2007, embarquei com um grupo da igreja em uma viagem missionária e fiz um estágio no Centro Scalabrini em Montreal. Voltei para a Colômbia e me casei com meu marido, que é libanês, mas morou em Montreal em 2008. Não considero que nossa relação seja um casamento multicultural clássico, porque nós dois compartilhamos uma crença cristã. Nossa fé vem antes de nossas culturas. Nós chegamos a morar no Líbano por dois anos, porque meu marido conseguiu um emprego lá. Eu esperava que fosse uma oportunidade de trabalhar com imigrantes e refugiados, mas isso não se mostrou possível; foi muito difícil mesmo eu tendo nacionalidade libanesa, que obtive através do meu marido. Pensamos em nos mudar para Vancouver quando voltássemos ao Canadá, mas logo recebi uma proposta de emprego com o Miguel e aceitei. Além disso, já tínhamos amigos em Montreal. Foi mais fácil nos restabelecermos aqui.

Eu trabalho numa organização católica, mas não sou muita religiosa nem sou católica. Me identifico como cristã, mas não frequento a igreja. Não segui as regras ou as doutrinas de qualquer instituição ou pastor, mas li a Bíblia e converso com Deus todos os dias. O importante é minha relação pessoal com Jesus. Meu marido faz o mesmo. Eu cresci como católica e fui à igreja quando criança, mas parei de participar; eu não acreditava em Deus quando tinha 24 anos. Mas eu continuei a me perguntar se a vida tinha um propósito maior. Não poderia ser que nós nascemos, depois crescemos, nos casamos, temos filhos e depois morremos. Um amigo meu da escola veio me visitar, e ele me contou como Jesus salvou sua vida quando ele era um viciado em drogas. É difícil de explicar, mas eu sabia que sua história de vida era real. Ao mesmo tempo, A Paixão de Cristo estava nos cinemas. Eu saí do teatro pensando: “O que faço?”. Eu tinha esse vazio no coração quando comecei a rezar a Deus novamente.

Eu leio a Bíblia para os meus filhos, mas não quero matriculá-los em nenhum tipo de escola bíblica dominical. Eu não quero que eles sejam doutrinados com regras como “você precisa obedecer a Deus”. Eu quero explicar a eles que Deus os ama, sempre, mas nenhuma pessoa vai para o Céu por ser uma boa pessoa. Chega ao Céu por acreditar em Jesus. Há lugares remotos no mundo, a Amazônia, por exemplo, que não ouviram o Evangelho, e ali há boas pessoas. Eu acredito que Deus as julgará por suas palavras, mesmo que não creiam em Cristo. Eu acho que qualquer pessoa que tenha fé em Jesus – se tem o Espírito Santo – não é má pessoa. A marca fica dentro de cada pessoa. É uma questão de se transformar, de renascer. Só Deus sabe se você tem um relacionamento com Jesus – porque ele está vivo. Ele fala conosco. Todos os dias. Às vezes não ouvimos porque não queremos.

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