janeiro 22, 2017

Carolyn

Eu queria estar em missão. Embora eu estivesse no Brasil como irmã Feliciana, nunca tive a chance de trabalhar com os pobres na periferia. Eu ensinava na escola, e eu estava presa. Eu voltei a Chicago para me licenciar em educação religiosa em 1979, pois a escola me pediu. Entretanto, recebi uma carta em meu semestre final do diretor da escola que disse que meus serviços não eram mais necessários. Me encontrei com minha amiga, a Bridget, contei a ela que eu nunca tive a chance de trabalhar com os pobres. Ela assumiu o papel de advogada do Diabo. Eu não sabia o que Deus tinha planejado para mim. Anteriormente quando eu estive em São Paulo pela primeira vez, pensei em me transferir pra outra congregação. Quando visitei Machu Picchu, fiquei com Janet McConnell, que me impressionou tanto, e eu encontrei as outras irmãs de Maryknoll em Cochabamba. Comecei a considerar em Maryknoll. É era interessante, pois desde a primeira vez, desde o início, eu tomava uma decisão e eu estava certa. Não havia nenhuma dúvida em minha mente.

Stephanie, uma das irmãs de Maryknoll, me disse para não me preocupar com os documentos necessários para transferir. Me disse para continuar com os exames médicos, porque a presidente da congregação decidiu que conseguiriamos esperar até a instalação da nova superior Feliciana pois ela seria mais aberta ao meu pedido de transferência. A nova superior assumiu o papel, e era minha ex-professora de inglês que supervisionava o clube de vocações. Ela deu uma olhada para mim e disse: “Sim… você sempre quis estar em missão. Se eu não tivesse visitado o Brasil para ver a situação pessoalmente, eu não entenderia por que você não poderia estar em missão como missionária Feliciana”. Nós lemos o manual para ver o que eu tinha que fazer. Ela informou todas as Felicianas em Chicago de uma maneira que toda a província Chicago me enviou à missão com Maryknoll. Para mim, ofereceu a maior situação de cura possível. Eu acho que se alguém transfere comunidades religiosas sem uma cura ou respeita pela sua comunidade antiga, a situação pessoal se torna muito difícil. Não foi fácil mesmo, mas eu sou grata pelo processo.

Eu estou chegando ao fim do meu tempo no Brasil. Estou arrumando minhas malas para ir embora, e estou refletindo sobre todos os meus anos em São Paulo. Foi uma boa experiência. Eu amo o povo. Será mais difícil os deixar. Durante uma recente reflexão sobre espiritualidade, eu reconheci que minha espiritualidade depende do povo. Minha espiritualidade não funciona se eu estivesse sem eles e apenas “eu e Deus”. O aspecto comunitário é importante. Algumas pessoas comentaram que eu passei muitos anos sozinha, mas eu tivesse mais comunidade do que algumas pessoas que vivem na mesma casa. Um padre visitante em minha faculdade, o Leo Mahon, falou sobre a construção da comunidade. Ele montou um programa em Calumet City para formar comunidade, e foi responsável pelas Comunidades Eclesiais de Base no Panamá. Ele nos disse que é nossa responsabilidade como cristãos formar comunidade. O perguntei o que pensa das comunidades religiosas, e ele disse: “Não pode permanecer apenas na sua comunidade pequena religiosa. Todos participantes tem a obrigação de formar comunidade”. As palavras ficaram comigo. Espero que eu realize o objetivo. É um valor.

O caminho era muito longo… Estou pronta para voltar ao meu lar. Eu considero que estou indo para meu lar. As pessoas me perguntam quando eu planejo voltar ao Brasil, e eu lhes digo: “Não estou pensando em planos depois de completar 80 anos.” Eu aceitei um trabalho nos EUA que tem um compromisso de quatro ou cinco anos. Depois vamos ver o que acontece. Eu já estou tendo problemas com a mobilidade. Sem aquele carro que foi praticamente dado a mim, eu não teria a capacidade de permanecer aqui. E agora eu praticamente dei o carro para alguém que fez tanto por mim. Eu amo o Brasil. Mas eu não sou apenas brasileira; me sinto muita latino-americana. Acho que podem me transplantar em qualquer país latino-americano, e eu ficaria feliz. Mas eu penso que nós esquecemos que uma congregação missão não envia ninguém à missão para permanecer para sempre. Algumas pessoas vão à missão com a intenção de estar lá para sempre, mas eu nunca concordei com esta visão. O Pe. James Walsh disse: “Nós vamos para onde precisam de nós, mas não nos querem, e ficamos até que nos queiram , mas não precisem de nós”.

 

 

 

 

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