novembro 21, 2016

Ricardo

Eu comecei como músico em 2007 no Brasil. Desde meu primeiro CD não parei de cantar. Tenho vários projetos em hip-hop, reggaeton, explorando a música dos imigrantes, para dançar – todos os estilos. Fazemos poucos shows, mas a oportunidade aqui na Praça Kantuta é muito importante para todos os artistas imigrantes, não somente os bolivianos. É o segundo ano em que participo, e no ano passado fiquei em segundo lugar no Festival e Competição de Música e Poesia. Vamos tentar de novo. Há muita competição; 19 participam na parte da música e tem outros 10 que participam na poesia. Tem muitos estilos, e muitas formas de arte.

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Os brasileiros curtem bastante minha música. Esse ano vem com o desafio de cantar em português e espanhol. Eu canto nas duas línguas para falar sobre a discriminação e o racismo. Esse bullying social machuca, sentimentalmente falando. As palavras importam. Motivam a gente, também, pois a gente se expressa para vocês. Então, tento abrir os olhos dos brasileiros para que não seja assim. Não são todos os brasileiros, são poucas pessoas. Estou começando a combinar o português e o espanhol na música. Eu canto em espanhol – é a minha base – mas quero me sentir mais à vontade para praticar o português também. Ainda falo portunhol, mas os brasileiros me entendem, também. Estou explorando o mundo da música, estou mais aberto a estilos diferentes.

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Eu cheguei ao Brasil em 2003. Trabalhava como costureiro e, então, descobri que tinha talento para a música. Saí da Bolívia por causa do dinheiro, para procurar melhores oportunidades. Nessa época a economia da Bolívia estava mal. A gente se acostumou aqui, ficamos e agora, além da costura, eu trabalho como músico também. Eu não diria que minha vida é melhor no Brasil, porque tem muitos desafios… Trabalho, a economia brasileira está pior agora, documentação, moradia… Às vezes só batalhamos. Os problemas sempre existem, mas temos que superar. Penso em todos os imigrantes; isso me ajuda. Eu mostro em minha música a realidade da discriminação e do racismo, que o Brasil tem bastante. Existem, sim, brasileiros que são racistas e discriminam os imigrantes e refugiados. O problema é a língua; é um pouco complicado para aprender. Eu tive problemas por causa da dificuldade de comunicação… Outra terra, outro país. Às vezes nos chamam de “gringo”. Somos latino-americanos, né? E “gringo” é uma palavra muito forte. Não acho legal.

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