novembro 30, 2016

Eliane

Eu estou aqui por escolha. Era meu sonho de infância… Quando eu era pequena queria morar fora depois da faculdade, e vir ao Canadá, porque é um país bilíngue, como o meu. Mas meu pai não queria bancar isso, pois eu sou uma menina, e as meninas se casam e nada mais. Então eu trabalhei durante 10 anos e, graças ao programa de imigração do Canadá, fiz meu pedido e cheguei a Montreal como residente permanente. Eu vim em 2013, e a minha primeira impressão foi que aqui faz muito frio.

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Com o tempo eu percebi que a imigração dos residentes permanentes é um assunto do governo. Eu não acho que os quebequenses estejam envolvidos nessa área. Nós – os imigrantes – não os vemos. Aqui vivemos no meio das comunidades de imigrantes, e se não procuramos os quebequenses, é difícil. Nem mesmo trabalhamos com eles. É complicado dizer o que exatamente é um canadense, é essa a minha impressão depois de três anos. Achar um trabalho na sua área profissional é complicado, parece que nem nos dão uma chance. Mas, como viemos de longe para viver aqui, também não podemos deixar de lutar.

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As pessoas acham que morar no Ocidente quer dizer que ganhamos na vida, mas a verdade é que o Ocidente queima o espírito das pessoas. Na escola eu estudei geografia, política etc., e frequentemente eles nos falavam que a Europa nos ajudaria com programas socioeconômicos, e nos diziam que éramos pobres pois vivíamos com menos de um dólar por dia. Na minha cabeça não existia gente pobre no Ocidente – era isso o que a política econômica deles nos fazia crer. Então, quando cheguei ao Canadá, vi mendigos… Brancos! No meu país, as pessoas que vivem na rua são aquelas que têm problemas de saúde mental. E ainda assim é raro, pois as famílias cuidam deles. Aqui não há suporte familiar, a vida está segmentada. Cada um cuida de si.

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Eu me pergunto: “O que o Ocidente quer dos africanos?”. Eu estava chocada. Eles vêm até nós nos dizer como viver, e nos países deles têm os mesmos problemas! Se as pessoas saem da África frequentemente e morrem no meio do caminho é culpa dos europeus, que falam que temos que olhar para nós mesmos de acordo com o estilo de vida deles. Nos fazem acreditar que nos países deles é melhor, e isso não é necessariamente verdade. Agora me dou conta disso. É uma questão de perspectiva. Se vocês nos convencem de que do outro lado é melhor, nós vamos até lá. É revoltante.

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